Professor da UFSM publica poemas em uma das principais revistas de cultura do país
24/12/09 13:12:38
Nessas paragens, lembramos a morada antiga / A abóbada celeste, o arco pleno e distante. / Mas aqui só sentimos o que já foi / E o que vemos não existe / Nossa memória, o Letes / Só dissolveu uma parte / E pela doçura do vivido / Nosso cerne anseia ainda.
Sim, faríamos tudo para voltar, / Inda que como escravos, / Carregando fardos dia a dia, / E eu diria tudo o que calei / Sentiria tudo o que adiei.
Estes versos cheios de música e sugestividade compõem a segunda e terceira estrofes de um dos seis poemas que o escritor, tradutor e professor Lawrence Flores Pereira (do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFSM) publicou – a convite dos editores – na revista Dicta & Contradicta, uma das mais badaladas publicações de cultura do país na atualidade. Os poemas podem ser acessados no link http://www.dicta.com.br/edicoes/edicao-3/seis-poemas.
Eles foram publicados na edição N°. 3 da revista, de junho de 2009, que traz como carro-chefe uma longa entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de colaborações de nomes consagrados do debate cultural brasileiro e português, como João Pereira Coutinho, Olavo de Carvalho e Nelson Ascher.
Estes poemas fazem parte de um livro que Lawrence está preparando, com o título de “Engano Especular”. Também para a Dicta & Contradicta, ele fez a tradução do poema “Peter Quince no Teclado” (Peter Quince at the Clavier), de Wallace Stevens – que saiu na edição N°. 2 da revista. Para Lawrence, entretanto, o lugar mais apropriado para a poesia são os livros:
“Prefiro publicar traduções em livro e poemas também em livros. Acredito que poemas tendem a se descaracterizar fora do conjunto da obra para a qual foram compostos. São peças geralmente muito delicadas que só se sustentam fora de contextos onde só o que interessa é a troca de informação e a comunicação. Não há nada mais distante da comunicação do que a poesia. A seleta que fiz no caso da Dicta foi de poemas que, creio, se sustentam sozinhos, sem os restantes do livro.”
Lawrence já verteu para o português obras de literatura originalmente escritas em inglês, grego antigo, francês, espanhol e alemão. Além destas línguas, ele também diz pretender estudar o persa, para traduzir obras do poeta lírico Hafiz.
Algumas destas traduções foram realizadas em conjunto com a professora austríaca de nascimento Kathrin Rosenfield, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – instituição na qual Lawrence também atua, no Núcleo Filosofia-Literatura-Arte, da pós-graduação em Filosofia.
Entre as principais traduções que Lawrence já realizou estão os clássicos do teatro “Antígona”, de Sófocles, e “Hamlet”, de William Shakespeare. Mas ele também já traduziu o poema The Waste Land, de T. S. Eliot, e obras de Barbey d’Aurevilly, Emily Dickinson, Guillaume Appolinaire, Calderón de la Barca e Friedrich Hölderlin.
No momento, ele está preparando uma tradução do poema “Ode ao Rouxinol” (Ode to the Nightingale) e “fazendo os primeiros movimentos” para traduzir alguns contos de Robert Musil, mais uma vez junto com a professora Kathrin Rosenfield.
Fliporto – Recentemente, Lawrence participou como palestrante da 5ª Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (Fliporto), que ocorreu de 5 a 8 de novembro, na cidade de mesmo nome localizada no litoral sul de Pernambuco.
Considerada atualmente a segunda maior festa literária do país (perdendo apenas para a de Paraty – RJ), o evento teve João Cabral de Melo Neto como principal homenageado deste ano. O grande poeta recifense – falecido em 1999 – também foi tema da palestra de Lawrence, que tinha como título “A tradição popular da Espanha e do Brasil na poesia de João Cabral”.
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